3 lições que a profissão de Personal Trainer me ensina.

(...) sinto-me bastante sortudo por ter uma profissão que me motiva a estudar e a aprender, pois todos os dias podem ser diferentes.

Costumo sempre dizer que tudo o que tenho feito no JRNY é o produto daquilo que tenho aprendido e experienciado na minha jornada como Personal Trainer. E cada vez mais sinto isso.

Cada vez que falamos em exercício físico, torna-se inequívoca a ideia de que todos nós, sejam quais forem os nossos objetivos, podemos beneficiar de manter o nosso corpo e os nossos músculos ativos. É não só uma forma de saúde preventiva como também de necessidade, tão comum como comer; um pilar para o nosso desenvolvimento físico e não-físico.

Trabalhar nesta área do exercício físico, para mim, é uma forma de assegurar que pessoas à minha volta encontram o seu equilíbrio e funcionalidade normais, de modo a prosperarem no seu quotidiano e na vida. Um corpo são também cria uma mente sã. Se nos livrarmos de dores “parasita” no nosso corpo, se nos sentirmos fisicamente aptos e capazes, também somos capazes de tomar melhores decisões, pensar com mais clareza. Isto porque a nossa mente deixa de se focar em mecanismos de gestão de dor, e sim no que realmente importa.

Cada dia que passa, à medida que vou lidando com desafios diferentes, pessoas diferentes, apenas fico com mais certezas de que existe todo um mundo para aprender. O conhecimento não é estanque e sinto-me bastante sortudo por ter uma profissão que me motiva a estudar e a aprender, pois todos os dias podem ser diferentes. Os últimos anos trouxeram-me imensos desafios neste aspeto, tanto na área do Personal Training como também aqui no JRNY, e isso fez-me refletir naquilo que eu tenho tido oportunidade de aprender ao longo do tempo. Para celebrar isso, pensei em trazer aqui ao JRNY Blog três simples lições que tenho aprendido ao longo da minha jornada como Personal Trainer e que se têm tornado os pilares de tudo aquilo que tenho feito.

Pessoas diferentes, estados diferentes, treinos diferentes:

Falei um pouco disto em outro artigo do JRNY Blog “4 fases do treino que terás de enfrentar“. O treino, seja ele feito com PT, aqui na plataforma da JRNY Fitness ou em qualquer aula de grupo ou modalidade, tem sempre um objetivo comum: impactar positivamente as pessoas. O treino é desenhado para o corpo humano, e o corpo humano é sempre um produto da combinação entre predisposição genética, fisiológica, circunstancial e emocional. Descurar nem que seja um destes fatores já estaria a desrespeitar parte do propósito do exercício físico e, consequentemente, o de ser profissional da área.

Aqui na plataforma do JRNY, a aula de “Força e Foco” é a mais intensa dos três formatos disponíveis. É aquela aula em que podemos sentir um grande desafio que põe músculos a “arder” e o suor a escorrer. Mas nem sempre estaremos dispostos a fazer esse formato, daí haver mais dois, com cadências e essências diferentes.

Hão de haver fases em que parecemos estar no nosso pico de performance, e outras em que o nosso rendimento já não é tão grande e, assim, precisarmos de abrandar e diminuir a intensidade. Hão de haver momentos em que, aqui na plataforma, apenas nos apetecerá fazer um certo formato de uma aula, ou até mesmo ficarmo-nos pelo Mindflow (Relaxamento), que precisamente por isso ganhou a sua secção separada na plataforma.

No contexto de Personal Training, perceber como está o meu aluno naquele dia é a chave para perceber como posso construir o treino. Para não falar de todo o seu historial e condição que fará com que o seu treino não seja igual ao de mais ninguém. Num agachamento aplicado a duas pessoas diferentes, a única coisa que têm em comum é o nome do exercício, pois a forma de executar será sempre diferente. Basta pensarmos que o nosso esqueleto é único, as nossas articulações têm um design com direitos de autor, e mais ninguém é igual a nós. Só isso já dita a forma mais confortável de fazermos um certo exercício.

Diferentes colos do fémur, de “Why people HAVE to squat differently” – Movement Fix

 

Ausência da prova não é prova da ausência:

O treino, no seu cerne, é uma ciência. Uma junção de áreas como a biomecânica, anatomia, fisiologia, bioquímica. Resumidamente, quando contraímos um certo músculo durante o exercício físico, estamos a desencadear um grande número de reações bioquímicas e adaptações biomecânicas que depois irão resultar num aumento de força, amplitude, volume muscular. Contudo, e tendo em conta toda a base e raciocínio científico que preciso de ter no exercício da minha profissão, não posso ignorar aquilo que é a máxima do ponto anterior: o treino (e as pessoas) não são lineares.

Aprender a analisar as exceções à regra sem adotar uma postura demasiado cética, significa encarar o facto de que não conta apenas aquilo que as guidelines ou estudos mais extensos comprovam. Há outliers em cada estudo já lançado, e esses devem ser tidos em conta quando lidamos com pessoas. Eu posso aplicar a um aluno ou aluna uma certa metodologia altamente estudada, estudo esse aplicado a uma população numerosa, e essa metodologia não funcionar com esse aluno ou aluna em particular.

Se existe alguma variável que ainda não está muito comprovada como sendo pertinente para o treino, não quer dizer que eu nunca a possa usar, se esta beneficiar uma pessoa em particular (como por exemplo um certo tipo alongamento que acione o “feel-good factor”). Costuma dizer-se que na área do exercício e saúde, que não atua no alto rendimento nem em atletas de alta competição, trabalhamos precisamente com as exceções à regra, que nunca se comportam de forma linear e que quase nuncam se alinham com os estudos mais massivos.

O foco de uma dor não é a causa dessa dor:

Este ponto assenta numa vertente um pouco mais técnica por isso não irei desenvolver demasiado para não fecharem logo a página! Apenas basta pensarmos desta forma: as nossas articulações são um sistema mecânico interdependente, o que significa que uma oscilação ou desequilíbrio numa certa parte do corpo, irá ter impacto noutra.

Um exemplo disso, que recentemente encarei no terreno, é o pé. O pé é uma estrutura anatomicamente complexa, que está sempre a adaptar-se a todo um tipo de superfícies e ainda suporta todo o peso do nosso corpo. O stress a que esta articulação é sujeita é muito considerável, principalmente durante a corrida ou caminhadas em terreno irregular. Isto torna o pé num segmento onde muitas dores se podem originar, uma vez que as suas funções incluem, mas não se limitam a, absorção de impacto e base de suporte em diferentes tipos de posições. Se esta estrutura estiver comprometida, poderão haver oscilações em todo o sistema articular acima, incluindo nos joelhos, que terão de compensar esse desequilíbrio. Portanto, o joelho poderá doer, mas a causa da dor não estar nessa articulação em específico. Há que analisar o todo, e, acima de tudo, o contexto.

BÓNUS: Ter um interesse genuíno em ajudar é um requisito!

No fim de contas, tudo isto se resume a uma coisa: criar experiências positivas e influenciar pessoas da melhor forma. Ficarmos felizes com o progresso das pessoas, vermos a sua evolução como algo gratificante. É uma profissão de pessoas, para pessoas, com pessoas. Seja onde for, no PT ou aqui na plataforma, sinto que a minha motivação é essa: ajudar e melhorar qualidade de vida numa sociedade e contexto em que é muito fácil as pessoas esquecerem-se delas próprias.

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